Maripá implanta projeto piloto para diagnóstico da dislexia em alunos da rede municipal

O projeto está sendo desenvolvido, inicialmente, com alunos do 2º ano do ensino fundamental e ocorre em várias etapas.

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Entre os dias 7 e 13 outubro a Secretaria de Educação, Cultura e Desporto e a Secretaria de Saúde de Maripá estão realizando a Semana de Atenção à Dislexia, movimento que ocorre em todo o Brasil. O objetivo é alertar sobre a importância do diagnóstico precoce, visto que a dislexia afeta cerca de 10% da população e acaba passando despercebida frente a outras dificuldades, como baixo rendimento escolar.

A dislexia é um transtorno específico de leitura, caracterizada pela dificuldade com a fluência, velocidade e compreensão de leitura e por dificuldade na habilidade de decodificar e codificar palavras, ocasionando erros durante a leitura e escrita. Em Maripá, um projeto piloto, chamado RTI, foi implantado nas escolas municipais para o diagnóstico do transtorno.

De acordo com a fonoaudióloga, Ana Letícia Wicthoff Dittert, coordenadora do projeto, este modelo já é usado em outros países há bastante tempo e demonstram bons resultados para a identificação precoce do Transtorno de Aprendizagem – TA e para a intervenção junto aos alunos que forem identificados com risco de desenvolverem o transtorno. “A fonoaudiologia educacional visa trabalhar no sentido da prevenção de dificuldades relacionadas à comunicação, tanto oral como escrita. Observa-se o alto número de crianças com dificuldades escolares e também de fala, o que abre caminhos para relação entre fonoaudióloga e escola”, explica.

O projeto está sendo desenvolvido, inicialmente, com alunos do 2º ano do ensino fundamental e ocorre em várias etapas. A primeira delas foi a avaliação de todos os estudantes. Depois, durante três meses, os professores de cada turma passaram por tutorias semanais conduzidas pela fonoaudióloga Ana Letícia, onde eram passadas atividades para serem realizadas com os alunos durante a semana. Essas atividades possuem conteúdos e estratégias cientificamente comprovados como as mais efetivas para estimular as habilidades metafonológicas, sendo o progresso dos alunos monitorado regularmente pelos professores. Aqueles que não progridem de acordo com o esperado são selecionados para receber apoio educacional e continuam a ser monitorados, sendo atendidos na segunda camada do modelo RTI.

As crianças que após a segunda camada ainda apresentarem risco para Transtorno de Aprendizagem serão encaminhadas para clínica fonoaudiológica, onde vão participar pela terceira camada de intervenção. Após as três camadas o aluno passa por avaliação psicoeducacional e é inserido em terapia fonoaudiológica.

DICAS – A fonoaudióloga dá algumas dicas para identificar possíveis casos de dislexia, principalmente para os pais que acompanham o dia a dia escolar dos filhos. Entre as dificuldades encontradas por uma pessoa com o transtorno está a dificuldade em escrever o próprio nome, de identificar e produzir rimas, leitura silabada ou muito lenta, dificuldade para compreender a leitura, identificação de letras e associação com fonemas.

Em geral, o diagnóstico é realizado por equipe multidisciplinar, composta por psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo e neuropediatra, e fornece conduta adequada para cada caso. Algumas ações como auxiliar a criança nas tarefas escolares; dar tempo extra para leitura e escrita; reduzir ou adaptar textos com menos palavras; fazer resumos de conteúdo para provas; e a leitura diária de pequenos textos em casa podem ajudar a criança a lidar melhor com a dislexia e facilitar a sua rotina de estudos.

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